domingo, 28 de dezembro de 2008

Relatos de uma Recessão Anunciada

A queda do muro de Berlim, abriu as portas a uma serie de acontecimentos políticos, sociais e económicos, sem precedentes.
A contenção provocada pela Guerra Fria entre a EUA e a URSS, foi desaparecendo com a implementação das revolucionárias políticas de Gorbachov, Glasnost e Perestroika.
O capitalismo americano como sistema vitorioso, ganhou a confiança de todos sendo implementado por uns países e adaptando por outros, à nova ordem mundial adicionou-se um efeito bola de neve de crescimento económico notável.
Os anos 90, foi a época de ouro da economia Americana, sem ter que provar a sua superioridade, e com os seus principais concorrentes económicos doentes (Japão e Europa), foi crescer sem qualquer tipo de reservas ou precauções.
Com este crescimento acelerado, nem os mais cautelosos, conseguiram impor as suas políticas de sustentabilidade de longo-prazo. Apesar das pequenas crises, de salientar a de 2003, o crescimento foi galopante, o S&P500 de 1990 a 2007 cresceu 4,5 vezes o seu valor de 350 para 1560 pontos.
Em resposta ao ataque terrorista de 11/9/2001, a FED desceu as taxas de juro, minorando assim o impacto. Este acto impulsionou ainda mais a economia, especificamente o imobiliário, acelerando ainda mais o efeito de bola de neve que já vinha dos loucos anos 90.
Em 2007 inicia-se uma correcção profunda a este largo movimento expancionista. O sector imobiliário e consequentemente o financeiro são os principais actores desta trágica novela, que se alastrou a toda a economia.
A globalização e liberalização dos fluxos financeiros levaram a que uma correcção localizada nos EUA, se propaga-se como uma epidemia a todo o mundo.
De uma correcção a um sector específico em 2007, passamos directamente para uma recessão global em 2008, e uma mais que provável depressão em 2009.

Inveja produtiva

A conhecida alegoria da felicidade temporária de iate, que é provocada por ter o maior iate até aparecer outro ainda maior, destronando a felicidade e substituindo-a pela inveja, está presente em todas as culturas.
Este sentimento de inveja é salutar e recomenda-se, claro em doses equilibradas, faz acelerar o processo competitivo entre os indivíduos e consequentemente cria mais bem-estar para a sociedade.
Podemos considerar a inveja como um dos motores subjacentes ao desenvolvimento económico de uma sociedade.
Como exemplo, recordo um anúncio publicitário automóvel que à uns anos passava na televisão, em que o vizinho chega a casa com um automóvel novo, que é maior e melhor que o seu. Para meu espanto o vizinho fica surpreso e reservado quanto ao novo carro.
No dia seguinte, o reservado vizinho apresenta-se com um novo carro ainda melhor que o do seu vizinho.
Este anúncio desperta e evidencia algumas características da cultura nórdica face à cultura latina, mais particularmente da cultura lusa.
Num anúncio nacional, o vizinho ao chegar com novo carro, seria motivo para grande alarido entre a vizinhança, com todos a querer inspeccionar o novo carro.
Após este primeiro impacto o vizinho falsamente invejoso, juntamente com a vizinhança, vai colocar mil e um defeitos ao novo carro e questionar a dúbia forma como o vizinho angariou os rendimentos para adquirir tal máquina.
São várias as possíveis interpretações, mas realço a forma reservada e a consequente troca de carro por um ainda melhor, da cultura nórdica. A forma não efusiva provoca um sentimento de inveja salutar que o direcciona para um aumento de competitividade social, expressa por a aquisição de um automóvel ainda melhor. Basicamente este comportamento induz num esforço produtivo suplementar do indivíduo, traduzindo-se para a sociedade num acréscimo de bem estar social.
Na nossa cultura este esforço suplementar foi economicamente colmatado pelo exteriorizar uma felicidade falsa pela nova compra do vizinho. Invertendo assim o efeito de iate na economia.
A interpretação desta análise é muito subjectiva, com vários pontos críticos que podem criar dúvidas, mas realço que a inveja é um factor positivo de desenvolvimento económico de uma sociedade, desde que utilizado na sua vertente correcta.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Trabalho à sexta Vs Almeida Santos

Almeida Santos, figura de alto relevo nacional, comenta da seguinte maneira a ausência dos deputados na polémica sexta-feira, que antecede o fds prolongado:
«Não se paga aos deputados o suficiente para que sejam todos apenas profissionais, sobretudo quando são profissionais do direito ou fora do direito. No caso do advogado, se tem um julgamento não pode estar na assembleia e no julgamento ao mesmo tempo», começou por dizer, em declarações à RTP.
Algumas dúvidas:
- Quanto é que ganham os deputados? A actividade de deputado é um part-time?
os deputados ganham 3708 euros de salário-base, o que corresponde a 50% do vencimento do presidente da República. Os subsídios de férias e de Natal são pagos em Junho e em Novembro e têm direito a10% do salário para despesas de representação. Como também lhes são pagos abonos de transporte entre a residência e São Bento uma vez por semana, e por cada deslocação semanal ao círculo de eleição, um deputado do Porto, por exemplo, pode receber mais dois mil euros, além do ordenado.
Mas continuando, o alto representante da nação, que foi Presidente da Assembleia da República, 2º maior cargo da nação, ainda diz:
«Quanto às justificações para as faltas, é verdade que a sexta-feira é, em si própria uma justificação, porque é véspera de fim-de-semana. Eu compreendo isso. Talvez esteja errado que as votações sejam à sexta-feira. Não julguemos também que ser deputado é uma escravatura, porque não é, nem pode ser. É preciso é arranjar horas para a votação que não sejam as horas em que normalmente seja mais difícil e mais penoso estar na Assembleia da República»
- Quantos dias da semana é que trabalham os deputados? As vésperas de fds não são dias de trabalho? O fds passou a incluir a sexta-feira? A actividade profissional é que tem que adaptar ao trabalhador? Deve ser devido às excepcionais capacidades requeridas para o exercício da actividade de deputado, principalmente os de 2º linha, como ler os jornais, aguardar pela hora do almoço....Hummm.
Continuando, por acaso alguém tem conhecimento de algum deputado ter sido forçado ou obrigado a aceitar a penosa função de deputado? ......
Não bastava o facto lamentável da ausência injustificada dos deputados e ainda vem o ex- Presidente da Assembleia da República, todo indignado prestar estas lamentáveis declarações..... e assim vai o meu triste país....

sábado, 20 de dezembro de 2008

PSL parte 1

PSL (Pedro Santana Lopes) parece as siglas de um novo partido (Partido Socialmente Liberal), como atributo principal temos a nova linha de marketing politico, uma imagem vale por mais de 1000 palavras. Sócrates cedo se apercebeu desta nova tendência, que foi importada dos States. O poder da imagem e da comunicação no centro da actividade política, com o conteúdo da mensagem a ser renegado para segundo plano. Mas voltemos ao PSL, consegue cativar as atenções dos média, veiculando a mensagem pelos eleitores duma forma que aparenta ser natural, conquistando os corações não pelo conteúdo mas pela forma encantadora como discursa. Exacerbando os ânimos dos apaixonados ouvintes, que privilegiam a intriga e os bastidores, à objectividade e racionalidade do discurso.
Culturalmente sempre fomos dados à relevância dos contextos novelesco, talvez seja uma característica da nossa latinidade, mas nos tempos que correm esta "virtude" não nos favorece, desviando as atenções dos problemas reais, caímos facilmente no acessório.Como exemplo, o breve exercício de 1º ministro do PSL, que passou grande parte do tempo a reivindicar o mau tratamento e acompanhamento da comunicação social do seu curto mandato. Se PSL, tivesse capacidade governativa em vez de se preocupar com a comunicação social, focava as suas forças para o exercício das suas funções e naturalmente a comunicação social, após comprovar as suas excelentes capacidades de liderança e empenho, iria realçar e engrandecer o seu mérito na sua acção governativa. Pois, mas para isso acontecer é necessário ter essas capacidades.

As Opções de Liderança Política

Hoje 13 de Dezembro de 2008, a poucos dias de festejar um Natal ainda mais triste e desanimador, procuramos nos nossos líderes a estrela que nos possa guiar para um futuro melhor.... mas a concorrência ao lugar de Sócrates é pouco promissora...parece ser mais do mesmo. A emergência de um grande líder que possa concorrer e ameçar a liderança do actual é urgente, num natural processo evolução democrática e social:

Ferreira: personalidade "fria" e com uma atitude racionalmente coerente....para atingir o sucesso precisa urgentemente de mudar-se para uma país nórdico, onde esses valores num líder, são considerados positivos. Um curso de comunicação dava um certo jeitinho... a sua imagem representa um regresso ao passado recente...nada de novo.

Portas: é o líder de um partido conservador...ou anda numa busca desesperante de votos para justificar a sua existência.. parece ser o último fôlego...duma morte anunciada. Alguma coerência entre as fundações de um partido conservador e a política prática de Portas, a médio prazo daria melhores frutos.

Jerónimo: está num momento único, com a recessão e as fragilidades do capitalismo liberal americano...que pena não actualizar o discurso.....Jerónimo, já reparou que o Muro de Berlim caiu à quase duas décadas! Soluções concretas e não utopias é o receituário.

Louçã: mente brilhante, que ainda acredita que os homens nascem bons e a culpa é da sociedade capitalista que os torna maus... recomendo um estudo aprofundado das fábulas de La Fontaine, principalmente da Cigarra e da Formiga.