A conhecida alegoria da felicidade temporária de iate, que é provocada por ter o maior iate até aparecer outro ainda maior, destronando a felicidade e substituindo-a pela inveja, está presente em todas as culturas.
Este sentimento de inveja é salutar e recomenda-se, claro em doses equilibradas, faz acelerar o processo competitivo entre os indivíduos e consequentemente cria mais bem-estar para a sociedade.
Podemos considerar a inveja como um dos motores subjacentes ao desenvolvimento económico de uma sociedade.
Como exemplo, recordo um anúncio publicitário automóvel que à uns anos passava na televisão, em que o vizinho chega a casa com um automóvel novo, que é maior e melhor que o seu. Para meu espanto o vizinho fica surpreso e reservado quanto ao novo carro.
No dia seguinte, o reservado vizinho apresenta-se com um novo carro ainda melhor que o do seu vizinho.
Este anúncio desperta e evidencia algumas características da cultura nórdica face à cultura latina, mais particularmente da cultura lusa.
Num anúncio nacional, o vizinho ao chegar com novo carro, seria motivo para grande alarido entre a vizinhança, com todos a querer inspeccionar o novo carro.
Após este primeiro impacto o vizinho falsamente invejoso, juntamente com a vizinhança, vai colocar mil e um defeitos ao novo carro e questionar a dúbia forma como o vizinho angariou os rendimentos para adquirir tal máquina.
São várias as possíveis interpretações, mas realço a forma reservada e a consequente troca de carro por um ainda melhor, da cultura nórdica. A forma não efusiva provoca um sentimento de inveja salutar que o direcciona para um aumento de competitividade social, expressa por a aquisição de um automóvel ainda melhor. Basicamente este comportamento induz num esforço produtivo suplementar do indivíduo, traduzindo-se para a sociedade num acréscimo de bem estar social.
Na nossa cultura este esforço suplementar foi economicamente colmatado pelo exteriorizar uma felicidade falsa pela nova compra do vizinho. Invertendo assim o efeito de iate na economia.
A interpretação desta análise é muito subjectiva, com vários pontos críticos que podem criar dúvidas, mas realço que a inveja é um factor positivo de desenvolvimento económico de uma sociedade, desde que utilizado na sua vertente correcta.
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